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Fragmentos do Poema Sujo

de Ferreira Gullar
à Floripa em seus 282 anos de fundação

Ah, minha cidade verde
constantemente batida de muitos ventos
rumorejando teus dias por cima dos mirantes
minha cidade sonora
desabam as águas servidas
me arrastam por teus esgotos
de paletó e gravata…
Desce profundo o relâmpago
de tuas águas em meu corpo,
desce tão fundo e tão amplo
e eu me pareço tão pouco
pra tantas mortes e vidas…
Para onde foram essas águas
de tantos banhos de tarde?
Rolamos com aquelas tardes
no ralo do esgoto…

3 comments to Fragmentos do Poema Sujo

  1. Anna Maria Camargo
    maio 5th, 2008 at 10:47

    Olá, gostaria de saber se voce tem o Poema Sujo do Ferreira Gullar inteiro para me mandar como arquivo.

    Obrigada!

  2. Maria Odete
    maio 5th, 2008 at 17:27

    Na verdade Anna Maria, O Poema Sujo do Ferreira Gullar, é um único poema. É um livro inteiro e maravilhoso. O que coloquei nesse blog é uma violação e assumo. Peguei um fragmeto do livro que fala de poluição e descasos com o meio ambiente, um recorte emblemático, assim como algumas regiões de Florianópolis. O poema foi postado no dia do aniversário da cidade que completou 282 anos. E tive o cuidado de não colocar os imensos palavrões que ele fala, que a gente pensa e diz…mas que não publica. Em entrevista a Clarice Lispector, Ferreira Gullar de certa forma “explicando” O Poema Sujo quando ela lhe pergunta se este era um poema de exílio, Gullar respondeu:- creio que o poema vai além disso – ele é uma tentativa de dizer tudo como se depois dele eu fosse morrer. O que significa exatamente, eu não sei.
    Nas livrarias virtuais da internet, talvez ainda encontres algum remanescente do livro. abraço, Maria Odete

  3. HELAINE
    setembro 11th, 2011 at 11:16

    MUITO BOM