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Por este cotidiano, vale a lembrança de Augusto dos Anjos em Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo amigo é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

1 comment to Por este cotidiano, vale a lembrança de Augusto dos Anjos em Versos Íntimos

  1. Oswaldo de Toledo de Carvalho
    abril 9th, 2012 at 13:11

    Augusto dos Anjos, poeta imenso,não poderia nunca imaginar a “lama” em que nos mergulhamos todos, mesmo antes dos ministérios de pescas em águas sujas, em brejos, em lodaçais fétidos do esgoto a céu aberto da política e da justiça nacionais.Os que não se acostumam sofrem, os que se acostumam com o fedor se locupletam. Até Cachoeira por muito contaminada que esteja, servirá para lavar MENSALÕES,levar para longe alembrança de assassinatos,para o esquecimento,depositados em abismos abissais ocaso da Casa da Moeda,Guido Mantega. Poetas reajam! Escrevam sobre essa desgraça!-ou ainda faltam inspirações?