Círculo do Leitura da UFSC coloca Raquel Wandelli na ciranda

A jornalista Raquel Wandelli
A jornalista Raquel Wandelli

A jornalista e professora universitária Raquel Wandelli é a convidada desta quinta-feira, 8, no Círculo de Leitura, iniciativa da Editora da UFSC que congrega escritores, artistas, professores, pesquisadores, estudantes e demais pessoas dispostas a alimentar e difundir a paixão pela leitura. Conversa informal sobre livros que o convidado e os presentes estejam lendo no momento, o Círculo é realizado sempre na primeira quinta-feira de cada mês.

Você sempre leu muito, por hábito e por opção. Como a leitura entrou na sua vida?
Raquel Wandelli – Como filha de juiz, morei em várias cidades do Estado – Capinzal, Sombrio, Xanxerê, Tubarão, Jaraguá do Sul. Sem tempo para consolidar amizades, me refugiei na leitura, arma que usei também para fugir da solidão que aumentou na adolescência. Era uma forma de conversar comigo mesma, alimentar a fantasia e compreender o mundo. A leitura é importante porque responde a perguntas e necessidades interiores e nos ajuda a entender muitas contingências da vida.

Quais são os seus autores preferidos e o que está lendo no momento?
Raquel – Gosto, leio e releio Rubem Fonseca, José Saramago, Ítalo Calvino, Mário Quintana, Borges, Kafka, Machado, Drummond, Sartre, Umberto Eco, Walter Benjamin.

Em “Leituras do Hipertexto – Viagem ao Dicionário Kazar”, que foi tema de sua dissertação de mestrado, você analisou o caráter hipertextual de um romance do escritor Milorad Pávitch. Como este livro abriu portas para outros, de idêntica concepção?
Raquel – O livro de Pávitch é um corpo com muitas entradas e saídas, no sentido de que o ser humano, sendo um livro, também não pode determinar seu princípio ou o seu fim. Vejo a leitura como algo aberto, que ajude a produzir sentido, e depois do “Dicionário Kazar” tenho sido menos tolerante com as obras que se entregam muito facilmente ou que deixam pouca margem para a participação do leitor. O valor não está na obra, mas no que se pode tirar dela. A partir de Pávitch, descobri Osman Lins, autor brasileiro de uma obra vasta e inventiva, mas pouco lida e divulgada. Em “Avalovara”, seu romance mais hipertextual, ele cria uma intrincada trama entre texto e mundo, intercalando oito temas narrativos que atravessam tempos e espaços distintos, na busca de um livro total, uma cosmogonia.

Como professora de Jornalismo, como vê o nível de leitura e informação dos alunos que estão chegando à universidade?
Raquel – Vejo um abismo entre a cultura impressa e a da internet, que é utilizada pelos jovens de hoje. Como professores, tendemos a dar valor exagerado às leituras tidas como fundamentais, e por isso fazemos chantagens com os alunos, o que os leva ao pânico e à crença de que são incapazes diante do desconhecido. Acredito que cultura não se adquire, se constrói, por isso não temos autoridade para afirmar que a cultura escrita é a que vale. Devemos considerar o rap e os jogos interativos, a linguagem interconectiva e fragmentada dos jovens, como parte de seu mundo. Precisamos nos atualizar e descer do castelo onde estamos. Pedagogia é afeto e não tem a ver com o terrorismo que usamos em sala de aula.

Serviço:
Quando: dia 08 de maio de 2008, quinta-feira
Horário: às 17:00h
Onde: Espaço Cultural Cruz e Sousa da EdUFSC, localizado próximo ao Centro de Cultura e Eventos da Universidade em Florianópolis.

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