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Melancolia

de Maria Odete Olsen

Folhas de outono

“Acredito que a mulher não se ressinta tanto por se dar em pequenas doses, mas por se dar em vão.”Anne Morrow Lindemberg

será esse vazio essa ausência que me levam de mim
e tanto me sobrecarregam e me igualam a um molotov
de emoções que sem eco em mim ricocheteiam e em
minhas artérias e nervos implodem

será essa indolência que me adormece os membros
aflora uma dor de entranhas uterina
e o único movimento que emito é fixar o horizonte
e nele colocar meus olhos como garras e tentar assim
segurar o novo o além o que não imagino que possa vir

sentimentos me queimam nas sombras impassíveis e impiedosos
por vezes desse labirinto imagens e lembranças bailam
doces e até suaves mas em outras trazem tamanha
frieza e crueldade como a indiferença
adaga com que se rejeita e se fere de dor obrigando
a nós e ao outro a cada dia desfalecer um tanto
tal castelo de areia desmantelado sob o impacto das ondas
ou como folhas secas levadas pela inconseqüência
dos ventos de inverno

nestes dias quando tamanha melancolia me imobiliza
e carente de um horizonte meus olhos na escuridão se perdem
a vontade que me invade é a de mergulhar num imenso lago
retroceder através de suas águas muito aquém de todas
as minhas vidas num tempo muito antes de ter sido concebida
voltar a não ser nada nem um sopro ou sonho algum
pois antes de ter sido gerada quando penso
nesses momentos de solidão absoluta
quisera ter tido eu a opção
de nunca ter nascido.

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