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Goethe e Barrabás, um romance sobre as más escolhas que fazemos na vida

O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Estácio de Sá, Deonísio da Silva

O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Estácio de Sá, Deonísio da Silva

O escritor catarinense Deonísio da Silva, prêmio Casa de Las Américas com o livro “Avante Soldados: para Trás”, que lançou o romance “Goethe e Barrabás”, durante a 5ª Feira do Livro de Joinville, repetiu o lançamento do romance em Florianópolis, na última sexta-feira, no Café da Livraria Livros & Livros. Para o escritor que estudou em seminário, há missas tão modernas hoje, nas quais só falta a Flávia Alessandra (Alzira da novela das oito) esfregar-se no círio pascal ou em alguma coluna da nave da igreja. Especialmente para o blog, o escritor concedeu esta entrevista por e-mail.

Maria Odete – Deonísio, por que “Goethe e Barrabás”?

Deonísio da Silva – O tema de meu romance são as más escolhas que fazemos na vida. A multidão, em plesbiscito informal, escolheu Barrabás para a liberdade e Cristo para a morte na cruz. E as trevas predominaram por um bom tempo. Goethe, ao morrer, pediu mais luz. Este ano completei 59 anos, a mesma idade de Goethe ao escrever Fausto, cujo tema é a venda da alma ao Diabo. Este ano celebramos 200 anos do Fausto II, pois Goethe escreveu dois Faustos, sua obra mais famosa.

Maria Odete – Segundo o colunista Raul Sartori, o empresário catarinense José de Souza Patrício comprou vários exemplares para presentear ex-colegas dos tempos de seminário, em São Ludgero e em Tubarão. Você acredita que no Brasil de hoje, a colaboração da iniciativa privada, instituições governametais, etc. são imprescindíveis para a sobrevivência do escritor?

Deonísio da Silva – O que o empresário José de Souza Patrício fez, muitos empresários poderiam fazer, pois livro é um bom presente. Outro dia uma empresa de segurança de São Carlos, onde morei 23 anos, comprou 300 (trezentos) exs de meu livro para dar de presente a seus clientes. Iniciativas como esta são muito importantes para incentivar os leitores, produzir leitores, agradar aos leitores. É bom quando alguém se interessa e faz alguma coisa pelos leitores.

Maria Odete – Na sua opinião, a pouca leitura de livros dos jovens de hoje se deve ao fato de pais e professores também lerem pouco. Ao contrário do que fazia dona Edite Zanatta, a professora que o alfabetizou no longínquo 1956, em Jacinto Machado?

Deonísio da Silva – Minha professora Edith Zanatta me ajudou a dar os primeiros passos, no longínquo 1956, me alfabetizando. Nem ela e nem eu sabíamos que eu seria escritor, mas talvez ambos sentíssemos essa possibilidade de que ali estava um menino que tinha extremado gosto pela leitura e pelo ato de escrever. Fui um menino pobre que acreditava na minha professora, nos livros que lia, em pessoas generosas, como o padre Herval Fontanella, que me levou para morar na Casa Paroquial de Jacinto Machado para me preparar para ir ao seminário. E para ser ordenado, seriam 18 anos de estudo. Hoje, há até professores de aeróbica que deram alguns pulinhos, fizeram dois meses de cursinho e foram ordenados sacerdotes. Dessa mudança para pior surgiram vários problemas. Há missas tão modernas hoje nas quais só falta a Flávia Alessandra (Alzira, da novela das oito) esfregar-se no círio pascal ou em alguma coluna da nave da igreja. Igreja é lugar de recolhimento, sempre foi. Há dois mil anos é assim que a Igreja segue. Como diz Carlos Heitor Cony, católico não é para quem quer, é para quem pode, para quem aceita as condições, que começam no batismo. Tenho grande respeito pela Igreja, sou de família católica, e esses desvios me aborrecem bastante.(Entrevista concedida pelo escritor no dia 14 de abril de 2008).

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