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O 7 de setembro que ficou

Indaial no início dos anos 60. No detalhe, a pequena Maria Odete no desfile de 7 de setembro daquele ano

Indaial no início dos anos 60. No detalhe, a pequena Maria Odete no desfile de 7 de setembro daquele ano

Ao ouvir na manhã de hoje, minha vizinha cantarolar o hino nacional, olhei para o céu azul de brigadeiro de Santo Antonio de Lisboa e pensei, enquanto olhava as “marias sem vergonha” do meu jardim, nem tudo está perdido. O flashback me transportou por alguns segundos ao grupo Escolar Raulino Horn de Indaial dos anos 60, onde cursei o ensino infantil e fundamental e onde cantávamos o Hino Nacional com a mão no peito.

É óbvio que a época era outra, lá se vão mais de 30 anos, mas a educação e o significado dela pareciam tão mais profundos, mais sérios e complementares…não só cantávamos o hino Nacional “de cor” (recorda essa expressão) como também cantávamos o hino a Bandeira, o hino de Santa Catarina…nossa vida naquela época parecia que tinha mais significado que a de muitos jovens de hoje.

Do que mais lembro? Éramos tão pobres, muito pobres sim, mas haviam aquelas coisas prosaicas como uma casa limpa, um quintal com horta…coisas inimagináveis e superadas…tudo era diferente e tudo era menos, mas isso não nos remetia a violência descabida ou ao consumismo e ainda lembro, tínhamos mais educação. Seria por medo ou respeito aos pais e professores? Ou seriam eles que chegavam até nós com posturas e atitudes diferenciadas?

Penso que talvez eles nos olhassem de verdade, tivessem mais tempo e assim nos viam ou nos percebiam melhor e por isso apontassem as direções com mais segurança e se tornavam referências, exemplos humanos de valores hoje tão raros.

Já escrevi isso em outra ocasião, mas a nossa tecnologia da época eram os livros das coleções que nossos pais compravam e faziam dos fascículos. É claro, que ao dizer isso, não estou condenando totalmente o atual ensino. Esse rivavel não é uma condenação a nada, são apenas memórias que achei por bem registrar. Então, refletindo essa educação atual, percebo sim alguma coisa boa, alunos envolvidos aprendendo desde cedo (em raros colégios) a cuidar do meio ambiente, ter noções de sustentabilidade, a montar um plano de negócios ou lidar com a informática e se tivesse tido a oportunidade desses aprendizados naquela fase da minha vida, talvez tivesse cometido menos equívocos nesses aspectos.

Mas quando observo jovens de hoje sendo tutelados pelos pais, mães lendo os livros do vestibular para seus filhos que não lêem absolutamente nada, sem envolvimento com o significado social da vida, carentes até de sonhos (ontem ouvi alguém dizer num filme que sentia saudades dos sonhos que um dia tivera e que não foram realizados, mas como haviam sido importantes em sua vida) fico pensando num contraponto das coisas que não tive quando adolescente (os orkuts, MSN e Ipods e todas as tecnologias que também colaboram para a sabotagem da capacidade de raciocínio dos nossos jovens e por isso deveriam ser administrados com mais responsabilidade), o quanto me valeu apenas ter encontrado alguém que me ensinou com rigor e persistência o respeito as coisas, aos valores, a vida, aos símbolos…como a cantar o Hino Nacional com a mão no peito, por exemplo.

Em tempo, alguém acaba de me falar em como foi vergonhoso o desfile desse dia 7 na passarela Nego Quirido em Florianópolis. A pessoa não se referiu aos soldados desfilando e a garatoda da escola da PM, todos impecáveis etc. etc., mas a pessoa estava horrorizada com a postura dos alunos das escolas públicas…totalmente fora de padrão em termos de uniformes (amassados, vestidos de qualquer jeito), os tênis coloridos desleichados e as bandas tocando a tradicional marchinha de desfile mais parecendo um pagodão…acabaram de postar isso no meu ouvido. Dizer o quê?

Postado por Maria Odete às 12h57.