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Sky… because the sky is blue!

Lucas, nos tempos da Sweet Sixteen, em apresentação no Café Matisse, em abril de 1997

Lucas, nos tempos da Sweet Sixteen, em apresentação no Café Matisse, em abril de 1997

“because the world is round, it turns me on because the world is round
because the wind is high, it blows my mind because the wind is high
love is old, love is new, love is all, love is you
because the sky is blue, it makes me cry
because the sky is blue” (Because Heatmiser)

Foi perto de um natal, eu já morava aqui no cafofo de Santo Antônio. Era um daqueles períodos do ano em que aparece gente da família, amigos dos filhos e foi numa dessas que o Lucas me deu o CD 4XO em que ele e os músicos Daniel, Eduardo e Danilo interpretavam… chorinho e música instrumental brasileira da melhor qualidade, como Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Eduardo Lobo e Altamiro Carrilho.

Poxa, meu pai tocava esses caras nas serestas de Indaial há uns 40 anos atrás. E mais, até onde me lembrava o Sky, como a gente e todo mundo chamava o Lucas, tocava rock and roll na batera. Na verdade ele sempre curtiu um som das antigas se levarmos em conta que lá pelos 16 anos quando junto com o Charlie, Daniel, Neri, Marcel, Bianca e Luciana criaram a impagável Sweet Sixteen e o som que essa galera fazia era inspirado no Kiss, The Beatles, Queen, The Who e pode acrescentar Rush, Led Zeppelin…

Mas o Sky amava Rock-n-Roll All Night do Kiss…Oh Darling, dos Beatles… a Fat Bottomed Girls do Queen… e Behind Blue Eyes do The Who…

O Sky era assim… um cara legal, simples, bom filho, amigão. Nos churrascos que freqüentou lá de casa, sempre me brindava com o horrível… “tudo bem tia Maria?”… acompanhado de um sorriso aberto e o inesquecível beijinho… Meus filhos cultivaram essa amizade desde antes dos 10 anos. Ainda morávamos no São Francisco, na Trindade. Depois já adolescentes, viveram a época das bandas, dos ensaios, do transporte dos instrumentos, dos aluguéis das salas e dos estúdios, da reclamação dos vizinhos, das idas e vindas aos shows dos ídolos no Rio e São Paulo e Curitiba e Porto Alegre (eles não chegavam nunca à Floripa, para desespero de muitas mães)…

No começo desse ano, foi em janeiro, minha filha Michelle disse um dia que seria difícil a gente se reunir naquele fim de semana, porque ela e o marido iriam com toda a turma ao casamento do Sky. Ele casou com uma garota linda de olhos azuis e que se chama Cassiana. Depois, soube apenas que eles moravam em Campinas-SP e que o Sky vivia da música.

Só podia ser. Ele foi talvez, de toda a turma, o mais fiel ao seu sonho. O Sky da minha memória era mil e um fragmentos misturados aos fragmentos da adolescência dos meus filhos. A vida de um se refletia de várias formas na vida dos outros da turma, nos sonhos, ambições e conflitos muitas vezes, porém, mais do que tudo, a um imenso amor e identidade com a música.

Quando meu celular tocou e vi o nome do meu filho, atendi.
Ele não fez nenhum rodeio, apenas disse com a voz embargada:
– Mãe… morreu o Sky… ontem… de enfarte…

De repente me vi na manhã de hoje escolhendo as flores da coroa que seria a última homenagem da nossa família ao Sky. As lágrimas não pararam de rolar. É muita dor ver um jovem de apenas 31 anos, tão dedicado à sua meta de vida, aos seus sonhos… fiquei sabendo pelo Tiago, seu irmão, ali no cemitério, no Jardim da Paz onde foi sepultado, que ele estava muito feliz porque havia saído a bolsa de mestrado em música. A banda iria se apresentar na França…

Lucas da Rosa era filho de Paulo e Gisela da Rosa e irmão de Tiago e Paola. Seu corpo foi sepultado às 15h da tarde de terça-feira, dia 20 de outubro de 2009, no Jardim da Paz, em Florianópolis.

Não sei se porque o Sky chegou hoje ao céu e lá tudo ficou mais alegre, mas à tarde dessa terça em Floripa foi ensolarada e o céu de brigadeiro…

Postado por Maria Odete Olsen às 19h22.